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| PRODUTORES INDEPENDENTES - PI |
PARTE 15 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Bibliografia
ABRAMOVAY, M. Gangues, galeras, chegados e rappers.Juventude violência e cidadania nas cidades da periferia de Brasília.Rio de janeiro: Garamond, 2002.
ABRAMOVAY, M. Violências nas escolas: versão resumida /Brasília: UNESCO, 2003.
ABRAMO, H.W. Cenas juvenis.Punk, darks, no espetáculo urbano.São Paulo: Página Aberta LTDA, 1994.
DIÓGENES, G. Cartografias da cultura e da violência: gangues e galeras e o movimento Hip-hop.São Paulo: Annablume, 1998.
DINIZ,Maria Helena.Dicionário jurídico,São Paulo:Saraiva,1998.
JESUS,Damásio E.Direito Penal.São Paulo:Saraiva,2002.
MAFFESOLI, M.Le temps dês tribus; Lê déclin de l’individualisme dans lês sociétés de masse.Françe: Méridiens,1988.
MORIN, Edgar.Cultura de massas no século XX: O espírito do tempo II: necrose; Tradução de Agenor Soares Santos.Rio de Janeiro, Forense-Universitária, 1981.
WAISELFISZ, Julio Jacobo, coord.Juventude, violência e cidadania: os jovens de Brasília.São Paulo: Cortez, 1998.
OLIVEIRA,Maria C..S.L de, et allii.Tribos urbanas como contexto de desenvolvimento de adolescentes:Relação com os pares e negociação de diferenças.In:Temas em psicologia da SBP-2003,vol.11,pp.61-75 ISSN:1431-389x
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h10
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PARTE 14 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h10
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PARTE 13 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h09
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PARTE 12 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Considerações finais
Objetivo deste artigo consiste em elucidar as principais diferenças entre os grupos juvenis, dos pontos de vista sociológico, jurídico, antropológico e educacional.Pois a mídia os trata de maneira geral o que por ventura faz com que estes recebam o mesmo tratamento ou sejam confundidos.Para tanto alem da discussão e problematização dos termos, efetuamos um trabalho de campo para cruzar com as informações colhidas nas bibliografias consultadas.Para que desta forma posamos contrastar a visão dos autores com a realidade dos jovens integrantes destes grupos.O presente artigo faz parte de um Trabalho de Conclusão de Curso ao qual encontra-se em andamento que visa investigar e compreender as gangues galeras e tribos urbanas na cidade de Mococa – SP, sua inserção e correlação com a violência escolar.
GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h06
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PARTE 11 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Conforme abordamos anteriormente as gangues estão envolvidas com a criminalidade, todavia não se constituem em quadrilhas. Embora a maioria dos membros de umas galeras envolvam-se em brigas com galeras rivais de bairros diferentes, isto não os torna uma gangue.
As brigas são algo comum e corriqueiro entre as galeras, visto que seus membros defendem-se mutuamente como uma espécie de “solidariedade orgânica”.No aspecto cultural não existe um estilo musical estruturante e identitário como ocorre com as tribos urbanas, assim como não existe envolvimento com o crime como fator identitário.Seus componentes não utilizam uma indumentária especifica que os identificam, como ocorre com as tribos urbanas. Embora algumas galeras façam uso de drogas, não há a prática do tráfico entre elas e seus membros. Este grupo faz a demarcação de seu território geográfico e dentro deste são muitas vezes mais temidos pela vizinhança do que respeitados.
Em entrevista realizada com membros de galeras, pudemos observar o seguinte:
Eu- Para que uma galera se reúne?
Entrevistado-“Na galera a gente sai para dá role,curtir,beber,fumar um baseado,mas sempre roa treta,então nois sai-na-mão”.
Eu- Sai-na-mão com quem?
Entrevistado-“Sai-na-mão com as galeras rivais de outros bairros.”
Eu- E qual galera é mais temida ou respeitada?
Entrevistado- “É a galera da zona norte,evitamos treta com eles,porque quando rola treta é cabulosa.”
Eu- E porque a galera da zona norte é tão temida?
Entrevistado- “Porque junta muita gente de todas as galeras deste bairro e a outra galera sempre leva a pior.”
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h06
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PARTE 10 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Nas entrevistas realizadas com os jovens pertencentes as gangue de Mococa observamos que:
As gangues são extremamente violentas, envolvidas com a criminalidade, demarcam território, algumas são pichadores e estão constantemente envolvidas em conflitos com gangues rivais, onde os casos extremos resultam em mortes.A grande maioria de seus membros já teve passagem pela policia ou foram presos, vêem como as únicas saídas da vida do crime: o casamento converter-se a alguma religião e a morte.Estes não se demonstram otimistas perante as expectativas para o futuro.Espelham-se em letras de Rap de grupos como Racionais MCs,Facção Central,De Menos Crime entre outros grupos.
AS GALERAS
A galera é, em linhas bastante gerais, o primeiro grupo em que os adolescentes e jovens passam a pertencer visto que geralmente são formadas por indivíduos cujo fator identitário é a vizinhança, podendo ser um bairro ou
determinado números de quadras, uma rua.Desta forma, uma galera pode ser constituída por laços de amizade, tendo como fator estruturante a solidariedade, já que seus membros muitas vezes se conhecem desde a infância. Comumente as galeras e gangues são confundidas, sendo necessário efetuarmos a distinção entre elas. Para tanto buscamos em Waiselfsz (1998) a diferenciação entre as duas.
Diferenças e semelhanças entre gangues e galeras.Gangues: Assalto/roubo, brigar, turma conhecida, união, autodefesa, proteção, pichar, violência, vandalismo, território, rivalidade, aprontar, fazer o erro, vingança.Galeras: Diversão, saudável, turma conhecida, união, autodefesa, proteção.(WAISELFSZ, 1998.p.40).
A galera, por sua vez, é entendida como um grupo de jovens que se reúne para sair, para se divertir e, eventualmente, “para consumir e mexer com droga”.Muitas vezes serve de proteção aos moradores das quadras, fazendo justiça com as próprias mãos e não admitindo intrusos nos arredores.Diferentemente das gangues, as galeras não saem com predisposição para praticar atos ilícitos e violentos.Mesmo assim, podem vir a envolver-se em brigas e conflitos. (Idem,1998.p.44)
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h05
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PARTE 9 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
“Viver no crime é tá com o bicho solto saca? È tá cheio de flagrante pra segurar toda hora, tem que ficar ligeiro com os coxinha e também com as tretas com outras gangues.” (Membro de Gangue Zona Oeste).
Fala de um traficante de drogas:
“Eu vendo a morte pros playboy mesmo, porque os papais deles não sabem o veneno que a gente passa na periferia, e se eles pudessem eles faziam pior com a gente”.(Traficante membro de Gangue).
Mococa não se diferencia de muitas cidades brasileiras onde nível de desemprego é altíssimo não restando muitas saídas para a juventude conforme afirma Abramovay:
“O roubo e o tráfico são opções certas para jovens que sabem da suas limitações, para conseguir segurança, assim,se o trabalho não for conseguido,a vida do crime apresenta-se como uma saída certa na medida em que eles não têm outra alternativa.(ABRAMOVAY,.2003.p.88)
Esta citação confirma a resposta do promotor da vara da infância e da juventude.Em entrevista concedida para esta pesquisa conforme vemos abaixo:
Eu - Quais são os fatores determinantes que fazem com que os jovens estejam envolvidos com a delinqüência?
Promotor – A falta de estrutura familiar é um dos fatores preponderantes, a isto comumente se alia à falta de acesso a educação, as grandes disparidades sociais, desemprego e falta de áreas de lazer.
Eu – E qual a maior freqüência de delitos cometidos por estes jovens?
Promotor – Furtos, tráfico, roubo e posse de entorpecentes.
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h03
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PARTE 8 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
As gangues são formadas por no mínimo oito adolescentes e jovens, que praticam roubos a residências, assaltos a jovens de classe média e algumas traficam drogas.Nem sempre possuem lideres conforme afirma Diógenes:
“Não é necessário entre as gangues “ter cabeça”Ter “uma cabeça forte” para ser o líder.Pode-se observar,ate mesmo de modo inverso,que certos lideres denominados sintomaticamente,chefe e não cabeça ,pensam pouco,falam pouco ma por outro lado,são corpulentos,musculosos,assemelhando-se ao estereotipo dos seguranças e leões-de-chácara .Eles precisam apenas se destacar pela força e pela coragem de se expor,na gangue o que importa é ser um cara notado.”(Idem,1998.P116)
A aproximação das gangues não foi difícil, pois minha convivência nas ruas da cidade me possibilitou certa facilidade de reconhecer seus membros e estes transmitiram segurança para os outros membros de ficarem a vontade durante as entrevistas.As entrevistas foram realizadas á noite na praça de fronte à escola, pois muitos de seus membros não estudam, e os que estudam dificilmente freqüentam as aulas, e durante as entrevistas o baseado nunca faltava e eu sabia o risco que estava correndo, mas talvez eles utilizaram desta prática para ver se eu desistiria das entrevistas e ao mesmo tempo para me desafiar e ganhar a minha confiança.
Quando a gangue possui uma “boca”, não existe um líder, mas sim um “patrão” que comanda e gerência o tráfico de drogas, e este possui os “olheiros” e os “aviãozinhos”.Todas as gangues possuem armas de fogo, tanto que o numero de homicídios dolosos comprovam tal fato.Analisemos a fala de um jovem de gangue:
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h02
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PARTE 7 - GUISTAVO DE SOUZA PINTO
Após tal explicitação fica clara a diferença entre gangues e quadrilha, ou seja, um grupo que se associa de forma instável e permanente, praticando indeterminados crimes.Enquanto que curiosamente o que vamos atribuir ao termo gangue mais adiante vem a ser definido no direito penal como co-delinqüência onde seus membros associam-se para a pratica de determinados crimes. Outro fator há ser levado em conta é que a gangue não se constitui num grupo estável e permanente, pois este é instável e rotativo.Isto se deve a fatos como, prisão de alguns membros, internação em clinicas de recuperação de drogas, saída de membros que se tornam evangélicos,o que dificilmente fará com que as gangues se constituam dos mesmos membros.
Portanto, para nos referirmos ao termo “gangues” utilizamos a concepção utilizada por Abramovay (2002) que a define como:
“No Brasil, quando nos referimos às “gangues”,não estamos falando em “organizações”de um negocio de características “empresariais”de uma racionalidade instrumental,que possibilitaria a mobilidade social do jovem(...)a palavra “gangue” tem sido utilizada para designar um grupo de jovens,um conjunto de companheiros e também uma organização juvenil ligada a delinqüência”(ABRAMOVAY,2002pp.94-95).
E também se faz necessário citar Diógenes que diferencia “gangue” de “galera”.
“O uso do termo gangue pode ser enfocado levando-se em conta um tênue limite, entre as “galeras” que se organizam para ir a bailes, as praias,para compartilhar músicas,drogas e aquelas que têm um objetivo explicitado entre seus membros,para o roubo, as brigas entre galeras,os saques a bens e equipamentos coletivos etc...Desse modo,pode-se afirmar que toda gangue é uma galera, mas nem toda galera é uma gangue.”(DIÓGENES.p.108).
Após discorrer sobre a terminologia, adentramos no universo das gangues da cidade de Mococa, que é constituída por membros oriundos de diversos bairros em que as gangues, galeras e tribos urbanas estão distribuídas para resguardar a identidade de cada grupo e não tornar este trabalho num dossiê de informações delituosas.Tomamos por principio dividir a cidade em cinco Zonas: Sul, Norte, leste, Oeste e Central.Trabalharemos estes territórios detalhadamente mais adiante.
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h01
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PARTE 6 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
As Gangues
Nesta parte do trabalho iniciamos propondo uma problemática na abordagem termológica de algumas palavras. Abaixo iniciaremos com uma citação de Morin.
“Existiam antes de 1950, em diversos grandes centros urbanos, bandos fechados de adolescentes, que tendiam a constituir-se em clãs, que ignoravam ou negavam o universo dos adultos. Esses bandos, chamados “a-sociais”,as vezes delinqüentes(...)Em certo sentido ,a “pré historia” da cultura juvenil moderna começa nos bandos marginais e adolescentes”(Morin.p.138).
Morin nas décadas de 1960 e 1970 refere-se a tais grupos de adolescentes e jovens como bandos que segundo o dicionário Aurélio (1976) significa: 1-Grupo de pessoas ou animais, multidão. 2-Quadrilha de mal feitores.
Em nosso trabalho não utilizamos o termo bando.Primeiro por se tratar de um termo de certa forma ultrapassado e não adotado pela sociologia, este é mais adotado em meios jurídicos como veremos mais adiante. Em segundo por que no que diz respeito ao item 2 do dicionário Aurélio “quadrilha de mal feitores”, isto não explicita exatamente uma gangue.
Em um segundo momento, propomos discutir que gangue não é quadrilha e também diferenciar uma da outra.A fim de abordar melhor o tema, nos utilizaremos o dicionário jurídico e o código penal para uma melhor compreensão do que vem a ser considerada uma quadrilha sob o ponto de vista jurídico.Segundo Diniz (1998):
“Quadrilha-Direito penal. Bando de mais de três mal feitores, dirigidos por um chefe, que se reúnem para praticar crimes, como assalto, roubo e latrocínio. Formação de quadrilha-Direito penal. Ato em que dois ou mais indivíduos se associam para perpetuar crimes. (DINIZ. 1998)
Tendo em vista que as gangues por nos estudadas não possuírem chefes.A diferença evidencia-se no primeiro momento.Já Jesus (2002) no código penal nos descreve da seguinte forma:
“A quadrilha ou bando distingue-se do concurso de agentes nos seguintes pontos: A)Na quadrilha ou bando os membros associam-se de forma estável e permanente, ao passo que na co-delinqüência os sujeitos se associam de forma momentânea. B)Na co-delinqüência os participantes associam-se para a prática de determinado crime, antes individuado, ao passo que na quadrilha ou bando os seus componentes se associam para a pratica de indeterminados número de crimes (...)Sendo a quadrilha ou bando crime independente dos crimes que a associação delitiva venha a praticar,pouco importa se tais crimes ofendam o patrimônio,vida,liberdade pessoal etc.O fato criminoso é associação de mais de três pessoas para fim de cometimento de crimes de tal, de per se ,ofende tão-somente o bem jurídico”paz publica”(JESUS,2002.pp.429-430)
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h01
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PARTE 5 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Ou jovem se agrupa, ou acaba que por estar fora do sistema. Também pelo fator identitário do mesmo compartilhar o sentimento de pertença isto faz com que ele se sinta de certa forma “seguro” ou “protegido” pelos outros membros da galera ou tribo urbana.Talvez nenhum dos autores tenha observado isto, por nenhum deles ter feito parte de nenhuma galera, gangue ou tribo urbana.
A noite é quando o espetáculo das ruas vem à tona com a aparição das gangues, galeras e tribos urbanas em meio à selva de pedra.Pois durante o dia seus membros ou estão estudando - e a uniformização descaracteriza o visual simbólico destes grupos-ou estão trabalhando.Estes jovens passam desapercebidos perante a luz do dia, com exceção aos finais de semana, pois durante a semana dificilmente podemos notar a presença deles que desprovidos de suas roupas e indumentárias, se misturam aos jovens e adolescentes que não fazem parte de nenhum destes grupos com quais estamos trabalhando.
As tribos urbanas se encontram em locais diferentes das galeras e das gangues.Em linhas bastante gerais elas se aglutinam em determinados recortes do espaço urbano – praças, pista de skate, bares, cemitério – ou seja, em territórios simbólicos, isso devido a seus membros não habitarem o mesmo espaço físico, bairro ou quadra.Desta forma impossibilita-se a demarcação do território físico, e é nestes territórios simbólicos que eles se encontram para conversar, tocar instrumentos musicais, praticar esportes, discutir política, emprestar cds, dvds, revistas e materiais afins específicos de sua cultura, bebem por vez alguns fazem o uso de drogas ilícitas.
Nas tribos urbanas não existem lideres nem hierarquias.Por vez alguns membros se destacam perante aos outros politicamente ou musicalmente, mas, todavia não os tornam nem melhores nem piores que os demais membros.Os fatores que diferenciam as tribos urbanas das gangues seria o fato das tribos urbanas não estarem envolvidas com a criminalidade e os pólos de aglutinação são a música, o lazer e a cultura.
È um tanto complexo e bastante extenso trabalhar com a termologia tribo urbana ou a metáfora das tribos urbanas, pois este termo não é encontrado em dicionários de sociologia, portanto, se fez necessário a citação fragmentada de alguns autores que trabalharam sobre o tema, para buscar explicitar, mesmo que superficialmente, o que vem a ser as tribos urbanas.A fim de diferenciar tanto gangues como galeras e para que não sejam tratadas como iguais e ou sejam confundidas.
Escrito por COELHO DE MORAES às 15h00
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PARTE 4 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Ou jovem se agrupa, ou acaba que por estar fora do sistema. Também pelo fator identitário do mesmo compartilhar o sentimento de pertença isto faz com que ele se sinta de certa forma “seguro” ou “protegido” pelos outros membros da galera ou tribo urbana.Talvez nenhum dos autores tenha observado isto, por nenhum deles ter feito parte de nenhuma galera, gangue ou tribo urbana.
A noite é quando o espetáculo das ruas vem à tona com a aparição das gangues, galeras e tribos urbanas em meio à selva de pedra.Pois durante o dia seus membros ou estão estudando - e a uniformização descaracteriza o visual simbólico destes grupos-ou estão trabalhando.Estes jovens passam desapercebidos perante a luz do dia, com exceção aos finais de semana, pois durante a semana dificilmente podemos notar a presença deles que desprovidos de suas roupas e indumentárias, se misturam aos jovens e adolescentes que não fazem parte de nenhum destes grupos com quais estamos trabalhando.
As tribos urbanas se encontram em locais diferentes das galeras e das gangues.Em linhas bastante gerais elas se aglutinam em determinados recortes do espaço urbano – praças, pista de skate, bares, cemitério – ou seja, em territórios simbólicos, isso devido a seus membros não habitarem o mesmo espaço físico, bairro ou quadra.Desta forma impossibilita-se a demarcação do território físico, e é nestes territórios simbólicos que eles se encontram para conversar, tocar instrumentos musicais, praticar esportes, discutir política, emprestar cds, dvds, revistas e materiais afins específicos de sua cultura, bebem por vez alguns fazem o uso de drogas ilícitas.
Nas tribos urbanas não existem lideres nem hierarquias.Por vez alguns membros se destacam perante aos outros politicamente ou musicalmente, mas, todavia não os tornam nem melhores nem piores que os demais membros.Os fatores que diferenciam as tribos urbanas das gangues seria o fato das tribos urbanas não estarem envolvidas com a criminalidade e os pólos de aglutinação são a música, o lazer e a cultura.
È um tanto complexo e bastante extenso trabalhar com a termologia tribo urbana ou a metáfora das tribos urbanas, pois este termo não é encontrado em dicionários de sociologia, portanto, se fez necessário a citação fragmentada de alguns autores que trabalharam sobre o tema, para buscar explicitar, mesmo que superficialmente, o que vem a ser as tribos urbanas.A fim de diferenciar tanto gangues como galeras e para que não sejam tratadas como iguais e ou sejam confundidas.
Escrito por COELHO DE MORAES às 14h59
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PARTE 3 - GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Citamos novamente Abramo que:
“...todas elas tendo a música como elemento centralizador de suas atividades e da elaboração de sua identidade, e caracterizando-se também por um imenso investimento na construção de um estilo de aparecimento (modo de vestir,expressão facial,postura de corpo gesticulação )Como sinalizador de sua localização e visão do mundo.(ABRAMO,1994,p.46)
Reintegro e atribuo que a música é além de um elemento centralizador, é o elemento que serve de “pilar de sustentação” ou melhor, metaforizando a “base” ou “alicerce” das tribos urbanas, pois é através do gosto musical em comum que estes se conhecem e conseqüentemente aderem à tribo urbana ou se juntam para formar uma. A música, além de ser o elemento centralizador conforme trabalhado por Abramo, é a porta voz da ideologia da tribo se esta existir é claro, pois é ela que norteia a cultura da tribo urbana.
Quanto ao reconhecimento de um grupo pelo outro isto é fato tanto que Maffesoli (1986) nos aponta:
“On peut considérer qu’il existe, de facto,une reconnaissance de ces groupes lês uns par lês autres.Comme je l’ai indique l’exclusive ne signifie pás l’exclusion,ainsi une telle reconnaissance entraine um mode d’ajustament spécifique.Il peut y avoir conflit,mais celui-ci exprime em fonction de certaines régles,il peut être parfaitement ritualisé(...)Si l’on,applique ce madle aux tribus citadines, on observe qu’il existe dês mécanismes de régulation três sophistiques.”(MAFFESOLI,1986.p.214).
Ocorre o reconhecimento destes grupos uns pelos outros é óbvio que existam conflitos entre os mesmos e é justamente este o nosso objetivo de desmistificar estes conflitos, tanto na cidade quanto mais precisamente seus desdobramentos no interior da escola.
“En fait,à l’encontre de la stabilité induite par lê tribalisme classique, lê neo-tribalisme est caractérisé par la fluidité,les ressemblements ponctuels et l’éparpillement.C’est ainsi que l’on peut décrire lê spectacle de la rue dans les megápoles modernes. .”(Idem,1986.p.116).
As tribos urbanas surgem inicialmente nas metrópoles e somente depois migram e ou surgem em cidades menores como é o caso de Mococa. E tal espetáculo citado por Maffesoli (1986), ocorre principalmente à noite, que é quando podemos notar a aparição deste neo-tribalismo desflorar na selva de pedra.
Já fizemos referência ao porque dos agrupamentos, utilizando vários autores, acontece que nenhum deles afirmou que as tribos urbanas e principalmente as galeras acabam abarcando muitos membros, não só como uma forma de sociabilidade menos repressiva do que a família a religião e a porque não, também a escola; mas também como uma forma de autodefesa e sobrevivência grupal na selva de pedra desindividualizada.
Escrito por COELHO DE MORAES às 14h59
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PARTE 2 - GUSTAVAO DE SOUZA PINTO
A diferenciação entre gangues, galeras e tribos urbanas.
O problema central deste artigo fundamenta-se na reflexão sobre a etimologia dos termos “gangues”, “galeras” e “tribos urbanas” que de forma incipiente vem sendo objeto de pesquisa.Objetivamos evidenciar as principais diferenças entre estes agrupamentos juvenis, para que desta forma tais termos não sejam empregados de maneira incorreta e nem de forma generalizada.
Tribos Urbanas
Para trabalharmos com o termo tribo urbana, utilizamos o referencial teórico de Maffesoli (1986) que dedicou uma de suas obras, Le temps des tribus; Le déclin de l’individualisme dans les sociétés de masse, exclusivamente para tratar do termo. Tanto que o próprio se fez pertinente de não adornar o termo tribo urbana com aspas e utilizar o termo como metáfora.
“La métaphore de la tribu,quant à elle,permet de rendre compte du processus de désindividualisation,de la saturation de la fonction qui lui est inhérent,et l’accentuation du role que chaque personne(persona)est applée á jouer em son sein.Il est bien entendu que tout comme lês masses sont em perpétuel grovillement,lês tribus quis y,cristallisent ne sont pás stables,lês personnes composant ces tribus pouvent evolver de l’une á l’autre.(MAFFESOLI,1986.p.15)
“C’est pour,rendre compter de cet ensemble complexe que je propose d’employer,d’une maniére métaphorique,lês termes de <<tribus>>ou,de <<tribalisme>>.Sans lês assotir,chaque fois,de guillemetes,j’entends ainsi insister sur l’aspect<<cohésif>> du partage sentimental de valeuers,de liux ou d’idéaux qui à lafois sont tout à fait circonscrits(localisme),et que l’on retrouve,sous dês modulations diverses,dans de nombreuses expériences sociales.” .(Idem,1986.p.35).
Ocorre justamente esse processo de desinvididualização, citado por Maffesoli acima, pois as tribos urbanas são compostas por adolescentes e jovens em forma de agrupamentos semi-estruturados, aonde as aproximações identitárias comuns entre eles vem a ser os gostos musicais e culturais fazendo-os desta forma “compartilharem um estilo de vida característico” grupal e não individual.Para tanto Abramo (1994) destaca:
“Esses grupos reúnem-se no tempo de lazer para procurar atividades de diversão, desenvolvem um estilo próprio de vestimenta, carregado de simbolismo, e elegem elementos privilegiados de consumo, que se tornam também simbólicos e em torno dos quais marcam uma identidade distintiva. Na circulação pelos espaços públicos em busca de diversão, muitas vezes entram em conflito com autoridades ou com outros grupos rivais(...)” (ABRAMO,1994.p.32)
Tanto para Maffesoli (1986) quanto para Abramo e para Oliveira, Camilo e Assunção.“As tribos são comunidades empáticas organizadas em torno do compartilhamento de gostos e formas de lazer”(OLIVEIRA,CAMILO E ASSUNÇÃO,2003.p.63) Constataremos isso no decorrer do trabalho com exemplos práticos.
Escrito por COELHO DE MORAES às 14h58
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ENSAIO DE GUSTAVO DE SOUZA PINTO
A DIFERENCIAÇÃO ENTRE GANGUES, GALERAS E TRIBOS URBANAS.
GUSTAVO DE SOUZA PINTO
Resumo
O presente artigo objetiva-se em analisar, compreender, apontar e diferenciar os agrupamentos juvenis intitulados como “gangues”,”galeras” e “tribos urbanas”.A partir destes termos, distinguir cada um deles e para tanto investigamos através de uma bibliografia multidisciplinar, utilizando autores sociólogos, antropólogos, juristas, psicanalistas e pedagogos. O campo de pesquisa é a cidade de Mococa – SP e a metodologia utilizada foi pesquisa participante, com pesquisa de campo, entrevistas com jovens integrantes destes grupos e autoridades da cidade.Trata-se, portanto, de uma diferenciação sociológica, reflexão e problematização terminológica, para uma possível elucidação das diferenças destes grupos; e que estes não sejam confundidos e nem tratados de maneira generalizada.
Palavras-chave: Sociologia da juventude, Grupos juvenis, Processo de identificação.
Escrito por COELHO DE MORAES às 14h58
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